9º ENEDS - Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social

O Norte também tem EREDS


Por Sandra Rufino

INCOP/UFOP; PEGADAS/UFRN; NESOL/USP

 

Foi maravilhoso participar da I edição do EREDS Norte, o evento que começou no dia 22/06 teve dois dias intensos de apresentações, debates e emoções. O evento aconteceu no campus de Castanhal do Instituto Federal do Pará (IFPA).

Estavam presentes cerca de 120 pessoas em cada atividade do evento, dentre os participantes professores, alunos, profissionais e representantes do poder publico. Os cursos de engenharia (agronomia, ambiental, civil, naval, sanitária) e tecnologia tiverem grande participação, mas estavam presentes alunos de outros cursos: contabilidade, economia, serviço social, turismo entre outros. A vontade de participar e estar no espaço em que a engenharia discutia desenvolvimento social (novidade para muitos) era tanto que nem a falta de energia no período da tarde no primeiro dia dispersou ou desmotivou os participantes que ficaram até o final.

A abertura do EREDS foi juntamente com a mesa de abertura de 90 anos da instituição e 40 do campus Castanhal e com o auditório cheio todos se emocionaram com o grupo de estudantes que realizaram uma mística que abordou o alimento fornecido pela agricultura familiar.

Mudamos de auditório para a realização das mesas redondas. A primeira mesa com a temática “Formação do engenheiro, projetos pedagógicos em questão” trouxe o debate que por mais que se tenham disciplinas voltadas ao desenvolvimento social e para uma formação mais sistêmica e holística do engenheiro (e também das outras áreas), sejam elas curriculares ou não, se forem tratadas de forma isolada não conseguem fazer uma verdadeira transformação, e, portanto não adianta fazer a proposição de novos projetos pedagógicos, porque na verdade é uma discussão filosófica e política do curso e da universidade, o projeto pedagógico, as disciplinas, as ações serão decorrentes disso.

A mesa da tarde tratou sobre “Tecnologia social aplicada ao desenvolvimento da Amazônia” trazendo a reflexão que apesar da tecnologia existir para a melhoria e facilitar a vida das pessoas, seu desenvolvimento é majoritariamente para as empresas ou fins militares, e por isso adjetiva-la com o social (assim como para o ecológico, assistência etc) é como uma revindicação (lembrança) que ela seja para toda sociedade. As tecnologias sociais são artefatos, metodologias ou processos construídos coletivamente e democraticamente (unindo os saberes popular e acadêmico) que promovem a transformação social da localidade e que podem ser multiplicados. A Amazônia tem um grande potencial para o desenvolvimento de tecnologias sociais, e a ITCPES/UFPA tem incentivado e desenvolvido em conjunto com várias comunidades.

O primeiro dia encerrou-se com o arraiá, concursos de quadrilhas, eleição dos padrinhos, a miss caipira, baile final uniam professores e alunos do IFPA embalados com o forró e carimbó.

Pela manhã o circuito de experiências divididos em quatro salas que discutiram: recursos hídricos, segurança alimentar, cadeia produtiva e desenvolvimento rural todos voltados para o desenvolvimento social, também gerou grandes debates que foram socializados na plenária das experiências para todos.

No almoço fomos todos para o restaurante universitário com a possibilidade de comprar deliciosos bombons com recheio de cupuaçu e pimenta de uma assentada que esteve também presente no evento com seus dois filhos.

Para aproveitar mais ainda o EREDS os alunos no almoço decidiram realizar uma plenária para o desenvolvimento de uma carta (logo será divulgada a todos) com problemas e desafios (a serem enfrentados pela engenharia) no qual os alunos irão se organizar e articular para pensar proposições e encaminhamentos.

No período da tarde fechando as mesas redondas com a temática “Engenharia, gestão de empreendimentos solidários e movimento social”, foi marcada com essas três temáticas previstas na mesa. A primeira exposição nos chamou a atenção para a importância da realização de um bom diagnostico participativo e apresenta a pesquisa-ação como uma grande possibilidade e estratégia. A segunda traz as experiências de gestão de empreendimentos solidários já existentes no sul do país como forma de motivar e mostrar que outra economia e mundo é possível. E por fim a ultima fala traz um resgate histórico sobre o processo de luta dos trabalhadores rurais, sejam eles expulsos ou incentivados a sair de suas terras desde a década de 30 até a atualidade, a criação, história e luta do MST.

A plenária final como sempre nos deixando com nó na garganta, trouxe muitos depoimentos que nos alimentam a alma e fornecem energia para o dia a dia. Algumas instituições, representadas pelos alunos, já manifestaram interesse de dar continuidade ao II EREDS Norte e que pretendem se apresentar no ENEDS. Vimos o filme síntese do evento (lembrança que gosto de deixar onde passo) e ficaram de encaminhamentos de articulação dos alunos local de realizarem outros espaços (semana de estudos, cursos) além do EREDS que possam integrar os cursos e debater questões de desenvolvimento social para a região ao longo do ano.

As sementes foram plantadas. Esperamos agora o cultivo delas pelos que são do local para o nascimento e crescimento de novas árvores, que estas gerem novos frutos, novas sementes e sejam espalhadas por toda Amazônia e por todo Brasil.

Já estou com saudades!

Fotos do 1º EREDS/N

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