9º ENEDS - Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social

8º ENEDS

Voltamos do Vale do Mucuri de malas cheias, de responsabilidade. Organizar o ENEDS nunca é fácil. Mas o oitavo ENEDS era um desafio especial. Afinal o VII ENEDS na opinião de muitos (e minha também) foi o melhor que já tivemos, e foi organizado quase exclusivamente por estudantes, com pouquíssima experiência e muita vontade de fazer um evento lindo.

E agora? Éramos apenas duas professoras, a princípio sem nenhum estudante para assumir essa responsabilidade com a gente. Combinamos que ainda não estava decidido que o VIII ENEDS seria na UFOP. Mas sim, que iríamos convidar os estudantes da UFOP para a organização do evento e, se eles topassem, o faríamos. Se não, a discussão voltaria para o coletivo decidir onde seria a oitava edição do evento. Os meninos de Teófilo Ottoni iriam à UFOP nos ajudar a cativar os futuros organizadores do evento, e assim o fizeram logo no início de novembro de 2010. E com todo o poder de encanto que esses meninos têm, já saímos dessa primeira reunião com a decisão tomada: o VIII ENEDS seria mesmo na UFOP! Já tínhamos uma primeira configuração da comissão de organização, com cerca de sete estudantes de João Monlevade e mais uns sete de Ouro Preto, além de mais um professor de Monlevade.

Daí pra frente a organização fluiu, em ritmo intenso e prazeroso. Tanto que resolvemos até organizar dois eventos! O I EREDS-SE, em maio de 2011, em João Monlevade, e o VIII ENEDS, em setembro, em Ouro Preto. É verdade que nas épocas de provas a coisa dava uma esfriada, mas com a ajuda dos “animadores” de fora (pessoal de Teó, Roy e outros), que nos fizeram algumas visitas para trocar experiências nesse período, sempre conseguimos retomar o ritmo.

E chegou o grande dia! Como sempre, com muitas pendências a serem resolvidas na última hora. Lembro que na noite anterior ao início do evento estávamos reunidos no teatro de Ouro Preto (local do evento) com uma lista imensa de tarefas a serem distribuídas. Os convidados iam chegando crente que era um convite para uma confraternização prévia, e saiam de lá cada um com sua tarefa. Isso que é co-responsabilidade. Isso é lindo de ver no ENEDS. Nossa comissão de organização tem uma capacidade de multiplicação quando a coisa aperta que é extraordinária. É por isso que o ENEDS é nosso! De todos nós que um dia já participamos dele.

Foi com essa energia que começou aquela manhã de segunda-feira, 19 de setembro de 2011. Após a solenidade de abertura, a primeira mesa redonda trouxe uma discussão sobre tecnologia e desenvolvimento. Questionando sobre que tecnologia precisamos construir e como ela será concebida para o desenvolvimento que o Brasil quer e precisa, Jonas Cremasco (UFOP) , Edgard Leite (UFOP) e Antônio Cláudio (UFRJ), nos brindaram com suas idéias e reflexões.

Ainda naquele dia, na parte da tarde, tivemos as apresentações de artigos. Foram 45 trabalhos apresentados em 7 diferentes áreas temáticas, com uma plenária final de troca entre o que foi visto e debatido em cada sala. Como sempre, esse momento é muito rico em sua diversidade de áreas e abordagens dos trabalhos. Arriscaria dizer que tivemos trabalhos de quase todas as grandes áreas do conhecimento: ciências exatas, humanas, sociais, da natureza e outras. Além de trabalhos de diversos estados e regiões do país. Cada um com o seu olhar sobre a universidade, o desenvolvimento, a economia, a solidariedade, o cooperativismo, a autogestão, a educação, a engenharia, a extensão, o trabalho, a tecnologia, a sustentabilidade...

A noite, é claro, foi farta em farra! Encontros, re-encontros, confraternizações, música, dança. A marca das noites dos ENEDS. Sem deixar as energias se esgotarem, pois era apenas o primeiro dia.

E por falar em energia, esse era o tema da segunda mesa redonda, na manhã do segundo dia de evento. Norteados pela discussão que já havia se iniciado na manhã anterior sobre que desenvolvimento o Brasil quer e precisa, Lenivaldo (trabalhador da Usina Catende) e Mario Biague (UNILAB) nos levaram a refletir sobre qual o papel da energia nesse processo de desenvolvimento. Partindo de suas experiências de trabalho eles nos apresentaram novas teorias e práticas nesse campo, tão estratégico para o futuro da nação. A platéia ficou encantada, mas também tocada pelo problema que vive a Usina Catende, uma experiência emblemática de autogestão dos trabalhadores rurais que está ameaçada pela ação dos grandes usineiros pernambucanos.

O relato das dificuldades dado pelo Lenivaldo nos levou a elaborar uma moção de apoio dos participantes do VIII ENEDS à luta dos trabalhadores da Catende. Foi a primeira vez que o ENEDS elaborou um documento desse tipo, o que nos levou a refletir mais uma vez sobre qual o papel do evento e desse coletivo cada vez mais forte que o faz acontecer de maneira brilhante todo ano. Estamos caminhando para a criação de organização política comprometida com a Engenharia e o Desenvolvimento Social? Não temos uma conclusão, mas o debate continua na próxima edição do evento.

E como as novidades não param, na tarde daquela terça-feira os participantes do ENEDS estiveram em oficinas e mini-cursos, que fizeram parte da nossa programação pela primeira vez na história do evento. O pessoal do SOLTEC/UFRJ ofereceu dois mini-cursos – um sobre as Fábricas Recuperadas no Brasil e na América Latina e outro sobre Diagnóstico Participativo e Pesquisa-Ação. O NESOL/USP trouxe o tema da Moeda Social e Bancos Comunitários. O pessoal do NETS/UFVJM apresentou e debateu com o público o filme “O Veneno está na Mesa”, problematizando a questão do uso de agrotóxicos na produção de alimentos no Brasil. E a UFOP ofereceu um mini-curso sobre Desenvolvimento Sustentável. Além desses, na parte da manhã, bem cedo, antes da primeira mesa, o pessoal do curso de turismo da UFOP também tinha oferecido uma oficina de Sentidos Urbanos, onde os participantes do ENEDS tiveram a oportunidade de conhecer a cidade histórica de Ouro Preto com um outro olhar e outros sentidos.

Após uma longa noite de festas nas famosas e badaladas repúblicas de Ouro Preto, estávamos revigorados para começar o último dia do evento. Terceira mesa redonda: “O desenvolvimento a partir da organização do trabalho e dos trabalhadores”. Na mesa, Lais Fraga (UNICAMP), apesar de jovem, veterana dos ENEDS, e Daniel Tygel (FBES), também ao mesmo tempo jovem e veterano da Economia Solidária no Brasil. Não podia ser diferente. Talvez pela juventude da mesa, ou pela concretude do tema, ou pela energia do último dia, aquele gostinho de “já vai acabar, precisamos aproveitar mais”, ou sei-lá-por-que, a mesa foi um sucesso total. O debate fluiu como se estivéssemos ali nos preparando para iniciar uma revolução no dia seguinte. Os palestrantes conseguiram gerar um clima onde o sentimento geral era que precisamos fazer alguma coisa para transformar o Brasil e o mundo em um lugar melhor para se viver. Acho que ali conseguimos atingir plenamente a um dos principais objetivos do evento: mexer com as pessoas, tirá-las de uma situação de conforto e colocá-las para pensar e sentir-se responsáveis pela transformação social.

Foi com muito esforço que conseguimos encerrar aquela manhã, ir almoçar e voltar para a última mesa do evento, na parte da tarde. E se todos já tinham sentido que precisamos fazer alguma coisa, agora era hora de discutir “Novos olhares sobre a formação profissional”. Ou seja, como podem as nossas universidades e escolas formar pessoas para assumir esse compromisso de transformação social no sentido de um mundo de relações mais justas, mais humanas, mais solidárias e mais sustentáveis? Para orientar nossa reflexão contamos com as idéias e provocações de Leo Heller (UFMG), Felipe Addor (UFRJ) e Cipriano Maia (UFRN).

Essa era nossa última mesa redonda. Mas o evento não acabou ali. Aliais, ele nunca acaba. Estava na hora de decidir onde ele teria sua continuidade. Onde seriam os II EREDS e o IX ENEDS. E mais uma novidade: pela primeira vez isso foi decido numa plenária final, com a participação aberta a todos os presentes.

Já anoitecendo, o cansaço era inegável, mas o auditório estava cheio de grupos interessados em organizar as próximas edições dos eventos e de expectativa de todos sobre a difícil decisão a ser tomada. Candidatos a organização do EREDS-SE, o CEFET-Nova Iguaçu,  a UFV-Viçosa e uma candidatura ausente do pessoal da UNESP-Jaboticabal (que teve que ir embora na tarde daquele dia). Ao EREDS-NE, a UFC-Cariri e a candidatura ausente . Também ausente por conta de um desencontro de datas, o IFPA já tinha deixado clara sua candidatura a organizar o I EREDS-N. E ao IX ENEDS, depois de ter organizado brilhantemente o I EREDS-NE, a UFRN veio pronta para levar.

O debate não foi fácil. Muitas ponderações foram feitas. Ficou claro que estava em jogo a responsabilidade de quase dez anos de construção coletiva desse evento que hoje tem grande importância no campo da Engenharia e do Desenvolvimento Social. Enfim, conseguimos, sem perder o carinho e o afeto, que marcam a história do ENEDS, decidir pela continuidade em 2012 dos EREDS em Nova Iguaçu (SE), Cariri (NE) e Pará (N), e do ENEDS em Natal. Os que não foram contemplados parecem ter voltado para suas casas também satisfeitos com as decisões e dispostos a se organizar para continuar participando dos eventos e quem sabe levá-los para suas universidades em próximas edições. E que sejam muitas! Em muitos lugares! Cada vez com um grupo maior e mais diverso! VIVA O ENEDS!!!!

Não precisa nem dizer que depois de tudo isso ainda sobrou energia para aproveitar a festa de encerramento do evento com muito samba, funk, forro, rock e tudo quanto é ritmo até o sol nascer. Eita povo animado, sô!

 

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